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quinta-feira, 30 de agosto de 2012

Rome Wasn’t Built in a Day

Diz-se que pode até ser por acaso que alguém aparece nas nossas vidas, mas, acredite, de fato, não é por acaso que elas permanecem. Não é por acaso que as pessoas se tornam especiais. As coisas levam tempo. Amizades são coisas construídas, tijolo por tijolo. Mas elas têm mais a ver com interesse que com tempo.
 
Há uma longa história. Quem chega agora pode simplesmente estranhar tanto apego, ou a liberdade de certas brincadeiras. Não tente entender muita coisa.   Foram muitos momentos, risos e lágrimas compartilhados que os tornaram tão indispensáveis e especiais, partes fundamentais do meu equilíbrio, da minha história. É preciso viver pra saber.
 
Não sinta inveja dos que já estão na minha vida. Não queira simplesmente derrubar alicerces que com muito esforço foram construídos. Apenas saiba que ainda há lugar. E que castelos cada vez mais altos podem aparecer no meio da paisagem, mesmo que neles não morem príncipes encantados.

quinta-feira, 27 de outubro de 2011

Das coisas não ditas.

Há tanto pra dizer e tantas coisas que gostaria de contar. Te falar de como têm sido os dias, que simplesmente passam sem parar, e de tantos acontecimentos e esquecimentos, dos pequenos encantamentos de uma rotina agitada. Te contar do que ando fazendo, de como ando correndo. Eu provavelmente ia reclamar do cansaço e ia falar da falta que faz o teu abraço. Eu ia te contar de gente que você nem conhece, mas que faz parte de mim. Eu ia falar de quem nem eu conheço, mas que em algum momento me fez rir. Eu queria te falar de mim. 

Te encontrar pra um almoço, andar por aí com as mãos no bolso. Falar do tempo, dos dias de sol e vento, das chuvas desprevenidas, das sombrinhas esquecidas... É... o clima tem andado louco. Te contar do trânsito e de todo o sufoco, do casal apaixonado que vi no ônibus, ou das músicas que ouvi enquanto olhava a janela e me peguei sorrindo lembrando de você. 

Eu poderia te contar da minha imensa dor e chorar no teu ombro meus desalentos, te ver me acalmar de todos os meus medos, e a gente acabar rindo jogados no sofá. Eu poderia estudar te fazendo cafuné te explicando tudo aquilo que você nem queria saber. Te contar dos casos clínicos e te fazer de cobaia ao mesmo tempo. Te demonstrar todos os meus aprendizados do último curso, falar de todos os planos pro futuro, compartilhar minhas alegrias e as pequenas conquistas de cada dia.

Eu poderia te ligar, assim, como quem não quer nada. Apenas pra te contar o sonho dessa madrugada. Só pra falar da falta, pra fazer você saber dessa saudade calada, da saudade cansada de tanto desencontro. Poderia pedir colo e carinho. Reclamar dessa história de ter sempre que estar 'sozinho'.  Eu poderia dizer que te amo, sussurrar milhões de vezes baixinho. Ou quem sabe gritar e acordar todos os vizinhos.

Eu poderia dizer tudo isso mas já não te interessa ouvir. 
Foi você quem quis se perder de mim. 
O que não sabes é o quanto de mim ainda está perdido em ti.


         “Penso sempre que um dia a gente vai se encontrar de novo, e que então tudo vai ser mais claro, que não vai mais haver medo nem coisas falsas. Há uma porção de coisas minhas que você não sabe, e que precisaria saber para compreender todas as vezes que fugi de você e voltei e tornei a fugir. São coisas difíceis de serem contadas, mais difíceis talvez de serem compreendidas - se um dia a gente se encontrar de novo, em amor, eu direi delas, caso contrário não será preciso.”  Caio Fernando Abreu.

sábado, 12 de março de 2011

Palavras pra quê?

Eu tinha tanta coisa pra dizer. Tudo parecia tão urgente, tão lógico. Pensamentos que vinham sem parar na minha mente, conversas inteiras que imaginei durante horas. Mas na sua frente tudo consegue simplesmente desaparecer. As palavras me fogem.  Eu fico com cara de boba, perco a fala, esqueço tudo, não sei o que dizer. Pensei então que eu devia escrever... Desisti. Palavras pra quê?

terça-feira, 7 de setembro de 2010

Behind Blue Eyes

Acredite, só sei sorrir largo porque meus olhos sabem também chorar. Eles colocam pra fora as dores e deixam a alegria entrar. Meus olhos sempre me denunciam. Eles insistem em falar mesmo quando me calo. São a parte mais silenciosa de mim e a que mais grita por atenção. E quando eles brilham olhando pra você, só você não vê.

O que o sorriso disfarça, os olhos revelam!


 
"Os meus olhos vidram ao te ver. São dois fãs, um par
Pus no olhos vidros pra poder melhor te enxergar
Luz nos olhos para anoitecer é só você se afastar..."

quarta-feira, 10 de março de 2010

Palavras não mudam nada!

Eu não estou confusa. Está tudo muito bem organizado na minha cabeça. Eu sei o que eu quero, mas sei muito bem também o que eu não posso. E é essa impotência que me incomoda. Porque, se não pode ser sim, a única resposta que sobra é não.

Eu até sei dizer, dá explicações, mostrar todos os porquês, os prós e contras, mas eu não tenho a menor vontade de fazer nada disso. Palavras não vão mudar nada, não vão resolver nada. Palavras não mudam o sentimento dentro do peito, não fazem instantaneamente parar de sentir. Continua tudo aqui, só que nem tudo ainda pode ser dito e eu sinto falta das palavras.

As palavras mudaram tudo. As palavras já não são as mesmas. Tudo parece igual. Ainda há conversas, ainda há simpatia. Tudo parece muito natural. Mas a falta de palavras antes presentes revela. Não mais “amor”, não mais “meu bem”. O impulso ainda existe, mas a hesitação denuncia. O bem não é mais meu.

Eu não to preocupada em estar livre, apenas precisava te deixar livre pra escolher se você quer está livre ou não. Eu sinto tanta coisa que não posso dizer. Por isso escrevo. Escrevo mas acho que não faria bem a ninguém me ler. Escrevo pra ninguém, mas, mesmo assim, eu continuo na busca de palavras que consigam exprimir o inexprimível, o sentimento que as palavras não alcançam.

Existem dores que são indizíveis, por isso precisam ser gritadas, choradas, expurgadas. Eu sinto e não cabe dentro de mim, transborda. Mas como meu drama pode não ser entendido, pode ser condenado, eu insisto em procurar palavras, as suas ‘mais insuportáveis combinações, numa busca vã de um peso equivalente ao imensurável’. Escrever é minha fuga e minha terapia. Eu me entendo escrevendo.

Se eu não consigo dizer é quase como se eu não pudesse sentir. Li uma vez que nós pensamos por palavras e, quanto maior for o nosso vocabulário, mais precisos serão os nossos pensamentos, mais rigorosos, mais vastos. Concordo com isso, embora sentir anteceda as palavras.

Eu tenho um caso de amor com as palavras, com sua beleza, com seu sentido único, elas não estão ali por acaso. Se está escrito ‘lindo’ e não ‘bonito’ é porque existe uma intensidade exata da beleza. Às vezes, chega a ser engraçado quando escolho palavras pouco usuais e alguns acabam não me entendendo e até me corrigindo.

Para certas coisas não existem sinônimos. Eu sempre reparei nas palavras. Por isso tão chata com o que escrevo, por isso sou tão critica com traduções mal feitas. Por isso escolho bem as palavras, ainda que, às vezes, elas não mudem nada.

"Eu vou me acumulando, me acumulando, me acumulando - até que não caibo em mim e estouro em palavras."  Clarice Lispector


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minha trilha dessa vez

domingo, 7 de março de 2010

Coincidências...

O menino das exatas estava certo. Mesmo ela, que costuma achar as coincidências engraçadas e encantadoras tinha que concordar - estava ficando intrigada e até assustada com as freqüentes coincidências com que tem se deparado.

Histórias que de repente se cruzam, pessoas que aparecem em lugares inesperados, palavras ditas em perfeita sintonia, músicas que tocam no momento exato. Tudo aquilo que não se esperava acontecer, e que teoricamente não era pra estar acontecendo, acontece.

Algo de recorrente. Semelhanças, cidades, nomes, pensamentos, histórias, sofrimentos, acontecimentos. Mas é tudo apenas coincidência. (Será?!)

Diante do espelho ela foi ajeitar o pingente do seu colar, aquele colar, que carregava tanto significado. Apesar de tudo, ela continuava a ostentá-lo em seu pescoço, adornando o seu belo colo, próximo ao seu próprio peito. Ela continuava impregnando-o com seu cheiro e com seus sentimentos.

No dia anterior riu por dentro ao ler a história de um outro cordão reencontrado, igualmente cheio de significado e capaz de evocar lembranças de uma história que já não era... Achou aquilo tudo tão familiar.

Era o dia seguinte àquele telefonema e bastou aquele simples gesto para que, como que por mágica, o cordão rompesse deixando escapar por entre os seus dedos delicados o coração que nele estava pendurado.

Foi o coração dela que disparou, que gelou, que quase parou. Ela nem teve tempo de entender o que tinha acontecido. Agiu por impulso. Foi num reflexo rápido que o segurou. Olhou para aquele coração em suas mãos e lembrou-se de quando este lhe fora dado e da promessa que ela havia feito de dele cuidar.

Aquele coração havia sido entregue a ela assim como ela havia entregado em troca o seu. O seu agora já não mais lhe pertencia, nunca fora lhe devolvido. Ela continuava a possuir aquele que estava em suas mãos? Já não sabia se conseguiria viver sem ele, pois era o único que lhe restara.

E enquanto o guardava com carinho para não perdê-lo pensou: é realmente muita coincidência...


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O sumiço da net também foi só coincidência...

terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

Só meu!

Não é que a felicidade dos outros esteja me incomodando. Nem é que eu esteja exatamente com ciúmes. É um pouco triste ver que sobra ainda menos tempo pra mim, mas o ponto não é esse. O ponto é que entre tantas declarações aparentemente apaixonadas, eu me pergunto se elas realmente sentem de verdade, se realmente sabem o que é amar alguém de verdade. Me incomodo com quem fica banalizando esse sentimento.

Às vezes me pergunto é se essas pessoas realmente sentem o sublime que isso deve ser, ou se apenas vão vivendo como viveriam qualquer outro dia, com qualquer outra pessoa. Me pergunto se elas merecem ou são realmente dignas de tal felicidade, de ter alguém do seu lado. E, se são, elas têm obrigação de ser felizes! De fazer a outra pessoa feliz também! De aproveitar isso sem ficar inventando problemas!

Como tem gente que pode dizer que sabe o que é amar se vive trocando de par como quem troca de roupa?! Se vive saindo de uma relacionamento pro outro? Não sabem realmente o que é amar alguém e não sair por ai usando pessoas e depois descartando. Não sabem o que é perder noites de sono lembrando da pessoa amada, lembrando apenas do sorriso dela. O que é estar junto de verdade, não apenas no corpo. Não sabem o que é desejar continuar junto. São pessoas que estão mais preocupadas em serem felizes do que em fazerem felizes. Eu quero poder ficar feliz em ver a felicidade delas. E não revoltada por vê-las deixar escapar a chance das mãos.

Logo eu que sinto tanto e tão verdadeira e intensamente, acabo estando sozinha, sem ter com quem compartilhar tal sentimento. Às vezes acho que só eu devo sentir isso assim... tão forte, tão puro. Queria mais que isso. Queria alguém pra sentir junto e junto de mim. Queria fazer feliz alguém que quisesse me fazer feliz também.

Um sentimento tão lindo, tão sublime, tão raro, tão mágico merece ser vivido por quem sabe apreciá-lo e valorizá-lo, reconhecendo-o como tal.

No dia em que essas pessoas sentirem isso talvez elas entendam quando eu falo do que eu sinto, dessa intensidade, desse querer, desse sentimento que parece ser tão e só meu.