quinta-feira, 30 de agosto de 2012

Rome Wasn’t Built in a Day

Diz-se que pode até ser por acaso que alguém aparece nas nossas vidas, mas, acredite, de fato, não é por acaso que elas permanecem. Não é por acaso que as pessoas se tornam especiais. As coisas levam tempo. Amizades são coisas construídas, tijolo por tijolo. Mas elas têm mais a ver com interesse que com tempo.
 
Há uma longa história. Quem chega agora pode simplesmente estranhar tanto apego, ou a liberdade de certas brincadeiras. Não tente entender muita coisa.   Foram muitos momentos, risos e lágrimas compartilhados que os tornaram tão indispensáveis e especiais, partes fundamentais do meu equilíbrio, da minha história. É preciso viver pra saber.
 
Não sinta inveja dos que já estão na minha vida. Não queira simplesmente derrubar alicerces que com muito esforço foram construídos. Apenas saiba que ainda há lugar. E que castelos cada vez mais altos podem aparecer no meio da paisagem, mesmo que neles não morem príncipes encantados.

segunda-feira, 30 de abril de 2012

Partida

Ela costumava ouvir com prazer os desabafos e problemas dele, mesmo que já tivesse muitos problemas só seus. Gostava de sentir-se útil e importante pra ele, mas cansou de parecer sempre incomodando demais quando era ela quem lhe contava os seus problemas e de ser pedir muito quando apenas queria colo.

Ela, que era tão tagarela, não podia ter dias-de-poucas-palavras ou ele sempre pensava o pior e dela se afastava, ao invés de simplesmente perguntar-lhe o que havia. Preferia começar a ignorá-la ou evitá-la. Se perguntasse, descobriria que na maioria das vezes ela realmente não tinha nada a dizer, queria apenas a companhia dele e se satisfaria com um abraço.

Ela cansou das provas de sua amizade nunca serem suficientes. Cansou dele sempre parecer desistir dela tão facilmente. Cansou dele não prestar atenção a como falava com ela porque achava que ela sempre iria entender e perdoar. Cansou dele dizer evitá-la porque, pra ela, ele não conseguiria fingir estar bem e, agindo assim, ele não lhe permitir ajudá-lo quando ele estava mal. Cansou de se sentir sozinha em momentos que ela tanto precisava dele e ele nem notava. Cansou de ser abandonada por ser especial.

Quando ela desistiu de lutar, não teve ninguém pra lutar por ela, pra sentir sua falta, pra perguntar ‘por quê?’ ou pedir pra ela voltar. Ele era orgulhoso demais pra assumir que os erros pudessem ser seus ou para procurá-la pra saber o que tinha acontecido para ela estar tão diferente. Não estava disposto a perdoá-la se os erros fossem dela. Ele apenas a deixou partir. Com essa atitude confirmou todas as suspeitas dela: ela não lhe servia mais. Ela, então, sem receios, partiu.

"Quando partiu, levava as mãos no bolso, a cabeça erguida. Não olhava para trás, porque olhar para trás era uma maneira de ficar num pedaço qualquer para partir incompleto, ficado em meio para trás. Não olhava, pois, e, pois, não ficava. Completo, partiu."      Caio Fernando Abreu 

quinta-feira, 22 de março de 2012

Reflections of a Skyline

Porque eu sou completamente apaixonada por esse texto/vídeo e por esse sotaque inglês. Difícil não me emocionar. Recomendo ler e assistir.



"E eu quero brincar de esconde-esconde, te emprestar minhas roupas, dizer que amo seus sapatos, sentar na escada enquanto você toma banho. E massagear seu pescoço. E beijar seu rosto. E segurar sua mão e sair pra andar. Não ligar quando você comer minha comida. Te encontrar numa lanchonete pra falar sobre o dia. Falar sobre o seu dia. E rir da sua, sua paranóia!
E te dar fitas que você não ouve. Ver filmes ótimos. Ver filmes horríveis. E te contar sobre o programa de TV que assisti na noite anterior. E não rir das suas piadas. Te querer pela manhã, mas deixar você dormir mais um pouco. Te dizer o quanto adoro seus olhos, seus lábios, seu pescoço, seus peitos, sua bunda. Sentar na escada, fumando, até seus vizinhos chegarem em casa. E sentar na escada fumando até que você chegue em casa. Me preocupar quando você está atrasado, e me surpreender quando você chega cedo. E te dar girassóis. E ir à sua festa e dançar. Me arrepender quando estou errado e feliz quando você me perdoa. Olhar suas fotos e querer ter te conhecido desde sempre. Ouvir sua voz no meu ouvido, sentir sua pele na minha pele.
E ficar assustada quando você se irrita. Eu digo que você está linda. E te abraçar quando você estiver aflita. E te apoiar quando você estiver magoada. Te querer quando te cheiro. E te irritar quando te toco.  E choramingar quando estou ao seu lado. E choramingar quando não estou. Debruçar-me no seu peito, te sufocar de noite. E sentir frio quando você puxa o cobertor. E sentir calor quando você não puxa. Me derreter quando você sorri, me desarmar quando você ri. Mas não entender como você pode achar que estou rejeitando você quando eu não estou te rejeitando. E pensar ‘como você pôde pensar que eu te rejeitaria?’. E me perguntar ‘quem é você?’, mas te aceitar do mesmo jeito.
 E te contar sobre o "tree angel", "o menino da floresta encantada" que voou todo o oceano porque ele te amava. Comprar presentes que você não quer e devolvê-los de novo. E te pedir em casamento, e você dizer "não" denovo mas continuar pedindo, porque, embora você ache que não era de verdade, sempre foi sério, desde a primeira vez que pedi.
Ando pela cidade pensando. É vazio sem você. Mas eu quero o que você quiser e penso. Estou me perdendo, mas vou contar o pior de mim e tentar dar o melhor de mim, porque você não merece nada menos que isso.
Responder suas perguntas quando prefiro não responder e dizer a verdade mesmo que eu não queira. E tentar ser honesto porque sei que você prefere. E achar que tudo acabou.  Espera só mais dez minutos antes de me tirar da sua vida, esquecer quem eu sou e me deixar tentar chegar mais perto de você. E de alguma forma, de alguma forma, de alguma forma compartilhar um pouco do irresistível, imortal, poderoso, incondicional, envolvente, enriquecedor, agregador, atual, infinito amor que eu tenho por você."
Texto é parte do filme "Crave" de Sarah Kane.

segunda-feira, 12 de março de 2012

Porque eu sei que é amor

"Comparisons are easily done
Once you've had a taste of perfection...
I guess second best is all I will know"
Thinking Of You - Katy Perry

Me lembro quando perguntei um dia a uma amiga da época do colégio como ela sabia que gostava de alguém, como se teria certeza de que se ama outra pessoa? Ela olhou pra mim, riu e apenas disse: isso é o tipo de coisa que a gente simplesmente sabe, sente, não tem muito como explicar; quando você sentir, você vai saber! Nunca esqueci dessa breve conversa que tivemos. Acho que ela mesma talvez nem lembre. Demorou um bom tempo para que eu realmente sentisse algo assim, mas ela estava certa.

Nunca fui do tipo que achei que é preciso sair por aí provando de muitas bocas para enfim saber qual é a certa. Sempre achei que é como uma comida que você prova e sabe que é boa, não precisa provar as ruins. Na verdade, sempre sonhei em casar com meu primeiro namorado. Nunca ter ex. Nunca sofrer com o fim de um relacionamento. Nunca me perturbou a idéia de ficar com um só, mesmo existindo tantos outros espalhados pelo mundo. Sempre fui apaixonada pela sensação de intimidade, de ter alguém, pra você, 'único no mundo', com quem você sente vontade de compartilhar a existência e o todo o resto. E é realmente uma coisa mágica quando isso acontece.

Não existe 'combinação perfeita', 'duas metades da laranja'. Existem diferenças, imperfeições, defeitos, mas ainda assim existe mágica. Dois inteiros se vendo complementares, aprendendo como é ser completos. Aprendendo. E depois que a gente descobre como pode ser bom, como é ser tão mais, como é não ser só, como é ter e como é poder ser pra outro, difícil é aceitar não ser. 

Estar com alguém não é amar. Eu-te-amos não brotam da minha boca facilmente. Um eu-te-amo dito, é um eu-te-amo sentido. E uma vez sentido, como dessentir?! Eis o grande problema. Amor é pra sempre. É irreversível. E mesmo na distância, na ausência, nos momentos de mágoa, amor é amor. E se preocupa, e sofre, e quer bem. Amor que é amor quer a felicidade do outro. Amor que é amor quer ser gritado, mas ama mesmo calado e não pode ser julgado. 

Eu acredito em encontros. E igualmente em desencontros. Eles acontecem, o tempo todo, a nossa volta. Eu acredito numa coisa chamada momento. Pessoas certas que se encontram simplesmente num momento errado das suas vidas, e fica aquela eterna dúvida: e se?! Se fosse numa outra fase, duma outra forma, com outra cabeça... Ainda seriam eles, em essência, mas talvez mais preparados pra lidar com as diferenças. 

Amor é mais. É mais que química. É um passo além na amizade. É carinho, respeito, diálogo, preocupação. Amor, amor, é raro. Não se encontra em qualquer balada, em qualquer esquina. E se você encontrar no supermercado, garanto que não será à venda nas prateleiras! Esteja atento. Mas não demais. Porque quando ele chegar, você há de saber. E não vai se contentar nunca mais com menos que ele. 

segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

Futuro do Presente

Oi, filha! Você nem nasceu, mas mesmo assim eu to aqui, escrevendo pra você. Eu não tive coragem de te deixar vir ao mundo, sabendo que eu estaria tão pouco tempo nele junto com você. Não pude suportar a idéia de te deixar sozinha, quando ainda haveria tanta coisa pra te ensinar; antes de te deixar preparada pra lidar com esse mundo que pode ser tão cruel. Eu não suportaria saber que você ia sofrer e que eu não estaria aqui pra te porteger.

Mentira. Sei que você ia saber se virar muito bem sem mim. Você seria forte, inteligente, determinada. Sei que ia me surpreender e muito, deixando-me muitas vezes com cara de boba, deixando-me orgulhosa. Eu é que sou egoísta demais e não pude aceitar o fato de que você poderia sim continuar a viver e ser feliz mesmo sem mim e sem meus puxões de orelha. 

Não consegui imaginar não fazer parte da tua felicidade, não comemorar tuas vitórias, não te abraçar nas tuas conquistas. Não aceitaria não estar presente, não te incentivar nos momentos de dificuldade, não te consolar nas tuas dores e medos, pois, sim, por mais que eu desejasse que não, sei que esses momentos também existiriam.

Mas, filha, apesar de tudo isso, saiba que você foi muito amada e desejada. Você seria a realização de um sonho. E ter você nos braços com certeza seria o momento mais mágico da minha vida! Mesmo que eu não estivesse aqui, você estaria cercada de pessoas maravilhosas e cheias de amor pra te dar.

Você ia amar o seu pai. Acho que escolhi direitinho ele pra você! Tenho certeza que vocês não iam se desgrudar. Você ia achá-lo o melhor pai do mundo. Pra ele você seria a princezinha dele. E eu ficaria toda besta vendo vocês juntos.

Eu tenho certeza de que você ia ganhar muitos tios, além dos tios que você já teria só pela família da mamãe. A mamãe tem amigos que seriam como uma família pra você. E seria lindo ver amizades florecem e perdurarem.

Você adoraria conhecer a sua avó! Sei que se eu não estivesse aqui ela seria uma mãe maravilhosa pra você, pois ela foi uma mãe maravilhosa pra mim. E se eu tivesse a certeza de que eu conseguiria ser igual a ela, sei que você também teria muito orgulho de mim. Dizem que, ser avó, é ser mãe duas vezes, então nem imagino o tanto que ela também deve já amar você! E é bem provável que ela tivesse mais pique que eu pra te acompanhar até nas baladas! Sabe?! Sua avó sempre foi minha melhor amiga.

Eu gostaria muito de um dia também chegar a ser avó. Ia ser lindo te ver crecer, amadurecer, se apaixonar... Um dia te ver casar. E eu ia torcer pra você nunca ter que sofrer de amor! Ah... eu sei o quanto dói... e também sei o quanto a gente se sente impotente diante desse sofirmento. Mas se por acaso algo não desse tão certo assim, eu ia querer está aqui pra você, nem que fosse só pra te ouvir desabafar e reclamar, sabendo que eu estaria ali pra te apoiar e abraçar.

Filha, se eu estou aqui sonhando e escrevendo tudo isso pra você, é só pra registrar todo o meu carinho e meu amor por você. É uma pena que você não possa ler...

Mamãe

sábado, 31 de dezembro de 2011

Unknown

"You don't know me
Bet you'll never get to know me
You don't know me at all
Feel so lonely
The world is spinning round slowly
There's nothing you can show me
From behind the wall"


Caetano já dizia, ne?! “Cada um sabe a dor e a delícia de ser o quê é”. Das lutas, conquistas, dores e alegrias de cada dia, cada um é que sabe das suas. Por isso sempre que vejo alguém com um sorriso nos lábios, valorizo e correspondo – vai saber o quanto aquele sorriso vale! E sempre que vejo um lágrima rolar ou rugas aparecerem, respeito - sabe-se lá os motivos. E como eu gostaria que isso fosse recíproco!

Que eu ame sempre mais e não desista nunca de acreditar, pois é preciso ser forte mesmo quando não se quer. Que eu seja correspondida, porque, pra se ser feliz, tem que ser uma via de mão dupla. Que eu tenha sabedoria e doçura pra dizer o que penso sem precisar ferir. Que eu continue a sorrir, mesmo nas dores, ainda que corra o risco de ser mal-interpretada. 

Que eu tenha paciência com os julgamentos de quem assiste tudo de longe e acha que sabe de toda a história, de quem confunde a maquiagem com a realidade, e o instante com o todo-dia. Que o silêncio não signifique esquecimento e que a distância não se torne indiferença (já que, infelizmente, nem sempre a proximidade significa intimidade também).

Eh.. Os dias não têm sido fáceis, mas ainda espero tudo melhorar.
Desejo continuar, viver, amar. Eu desejo tudo isso pra mim. 
E, quer saber?! Desejo tudo isso pra você.

Como dizia o Falabela, “saúde e paz – o resto a gente corre atrás.”

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 *Trecho de 'You Don't Know Me' de Caetano Veloso

terça-feira, 20 de dezembro de 2011

Someone Like You

É estranho, mas ainda me pego conversando com você. Na maioria das minhas noites de insônia, ou nos ônibus, lotados ou não, é sempre você que acaba me fazendo companhia. Ainda temos longas conversas e eu consigo ouvir nitidamente a sua voz. Ainda te conto tanta coisa... Seu sotaque continua inconfundível.

Ainda discutimos. E consigo antever todos os seus argumentos e conclusões. Ainda insisto em dizer. Mas tudo é tão assustadoramente real que me pego com saudade do tempo em que as conversas eram boas e leves, que me faziam rir, ou que os desabafos mútuos encontravam consolo.

Ultimamente tudo termina em desacordo. E aquele que costumava me ouvir e desabafar comigo parece um ser distante, que se perdeu no meio de tantas revoltas mal-resolvidas, com uma agressividade incontida, onde um tão falado 'perdão' parece não habitar.

Onde foi parar tudo aquilo que se dizia ser amor? Em algum lugar que já não é aqui. Pois já não há espaço pra ele onde continuam a se remoer sentimentos de mágoa e abismos de silêncio. Se há apenas palavras que machucam, não vale mais a pena insistir nesse diálogo de vozes surdas. Vai em frente e seja feliz! I wish nothing but the best for you.

Já não cabem mais cobranças insensatas, quando há coisas de que não se está disposto a abrir mão. Já não há o que negociar. Acho que é hora de parar de culpar teorias da conspiração e arcar com as consequências das próprias escolhas. Chega de se colocar no papel de vítima. Escreve tua história, pois a minha escrevo eu.

Chega de ficar nessa de 'stuck in a moment'. It's time to move on. Talvez devamos ser protagonistas de histórias diferentes, pois, essa de ser coadjuvante e ficar parado reclamando e esperando parado algo acontecer, eu, pelo menos, nunca me contentarei em ser.


"Nada em mim foi covarde, nem mesmo as desistências.
Desistir, ainda que não pareça, foi meu grande gesto de coragem."
- Caio Fernando Abreu

quarta-feira, 30 de novembro de 2011

Saudades

Sinto saudades do teu toque
Do teu rosto e teu sorriso
Dos teus lábios nos meus lábios
De falar a mesma língua

Língua. A tua na minha.

Perfeita sintonia de olhares
Que se entendem no absoluto silêncio
Torna palavras desnecessárias
Quando se respira o mesmo ar

Quando há tanto a dizer
Quando o coração dispara
Quando emoções pululam
Quando perde-se a fala

O tempo é uma ilusão
Quando estamos juntos
Temos a eternidade
Pra quê pressa?

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Poema escrito em maio de 2008 e nunca antes publicado.
Rest in peace here.

quinta-feira, 27 de outubro de 2011

Das coisas não ditas.

Há tanto pra dizer e tantas coisas que gostaria de contar. Te falar de como têm sido os dias, que simplesmente passam sem parar, e de tantos acontecimentos e esquecimentos, dos pequenos encantamentos de uma rotina agitada. Te contar do que ando fazendo, de como ando correndo. Eu provavelmente ia reclamar do cansaço e ia falar da falta que faz o teu abraço. Eu ia te contar de gente que você nem conhece, mas que faz parte de mim. Eu ia falar de quem nem eu conheço, mas que em algum momento me fez rir. Eu queria te falar de mim. 

Te encontrar pra um almoço, andar por aí com as mãos no bolso. Falar do tempo, dos dias de sol e vento, das chuvas desprevenidas, das sombrinhas esquecidas... É... o clima tem andado louco. Te contar do trânsito e de todo o sufoco, do casal apaixonado que vi no ônibus, ou das músicas que ouvi enquanto olhava a janela e me peguei sorrindo lembrando de você. 

Eu poderia te contar da minha imensa dor e chorar no teu ombro meus desalentos, te ver me acalmar de todos os meus medos, e a gente acabar rindo jogados no sofá. Eu poderia estudar te fazendo cafuné te explicando tudo aquilo que você nem queria saber. Te contar dos casos clínicos e te fazer de cobaia ao mesmo tempo. Te demonstrar todos os meus aprendizados do último curso, falar de todos os planos pro futuro, compartilhar minhas alegrias e as pequenas conquistas de cada dia.

Eu poderia te ligar, assim, como quem não quer nada. Apenas pra te contar o sonho dessa madrugada. Só pra falar da falta, pra fazer você saber dessa saudade calada, da saudade cansada de tanto desencontro. Poderia pedir colo e carinho. Reclamar dessa história de ter sempre que estar 'sozinho'.  Eu poderia dizer que te amo, sussurrar milhões de vezes baixinho. Ou quem sabe gritar e acordar todos os vizinhos.

Eu poderia dizer tudo isso mas já não te interessa ouvir. 
Foi você quem quis se perder de mim. 
O que não sabes é o quanto de mim ainda está perdido em ti.


         “Penso sempre que um dia a gente vai se encontrar de novo, e que então tudo vai ser mais claro, que não vai mais haver medo nem coisas falsas. Há uma porção de coisas minhas que você não sabe, e que precisaria saber para compreender todas as vezes que fugi de você e voltei e tornei a fugir. São coisas difíceis de serem contadas, mais difíceis talvez de serem compreendidas - se um dia a gente se encontrar de novo, em amor, eu direi delas, caso contrário não será preciso.”  Caio Fernando Abreu.

segunda-feira, 23 de maio de 2011

O Fim do Mundo

Disseram que o mundo ia acabar. Mas as pessoas dizem muitas coisas. Dizem, mas não sabem o poder que suas palavras têm. O poder de destruir mundos inteiros, sonhos e futuros. O fim nem sempre vem com gritos, explosões ou terremotos. A morte pode ser lenta, torturante, silenciosa. Morre-se aos poucos, um pouco a cada dia. Sentindo-se por vezes impotente diante da pior das armas: a indiferença. O silêncio também mata. Às vezes, pra se viver, é preciso deixar de se escutar o que é dito. Outras tudo que se precisa é de uma palavra para que ainda exista sentido sobreviver. O mundo, por enquanto, continua aí. Quem morre somos nós, de infinitas mortes.

Ressuscitaremos, enquanto nos restar o AMOR.

sábado, 12 de março de 2011

Palavras pra quê?

Eu tinha tanta coisa pra dizer. Tudo parecia tão urgente, tão lógico. Pensamentos que vinham sem parar na minha mente, conversas inteiras que imaginei durante horas. Mas na sua frente tudo consegue simplesmente desaparecer. As palavras me fogem.  Eu fico com cara de boba, perco a fala, esqueço tudo, não sei o que dizer. Pensei então que eu devia escrever... Desisti. Palavras pra quê?

quinta-feira, 23 de setembro de 2010

Poder de Atração

To cansada de viver como se eu tivesse um poder que eu não tenho e do qual eu não posso me aproveitar. To cansada desse 'poder' so servir pra afastar as pessoas de mim. To cansada de ter que ficar me esquivando e de nunca poder ter certeza se é verdade, por que não ia poder ser. É como se eu despertasse um estranho fascínio, mas nunca pudesse ser mais que uma ‘ótima amiga’.

Sou sempre aquela ‘indispensável’, que é ‘diferente’, que entende o que ninguém mais entende, que é paciente, que é carinhosa, que é capaz de fazer entender a cabeça “complicada” das mulheres. Aquela por quem eles se encantam, mas que acham que nunca poderiam ter. Tudo nunca passa de uma ‘impressão’ que, se questionada, possivelmente me fará ouvir que estou errada, seja por sinceridade ou por medo – continuando a dúvida.

Há sempre aqueles momentos em que eu sei exatamente qual a resposta esperada. Eu sei exatamente as palavras que se deseja ouvir. Eu sei exatamente o que dizer. Eu sei que se diria tudo aquilo que eu queria escutar. Mas eu to cansada de ter que calar, de não poder dizer, de fingir não notar, de não poder pagar pra ver, por saber que, na verdade, nunca ia poder ser. No final das contas, não poderia oferecer mais que a minha amizade. Esse alguém não poderia ser meu e eu nunca poderia ser desse alguém.

To cansada de me sentir culpada como seu fosse errado despertar qualquer interesse, como se fosse impossível alguém simplesmente gostar de mim, como se não devesse deixar ninguém me notar no meio da multidão - E isso quando tudo o que mais se deseja é ser notada. Quando queria acreditar ser capaz de conquistar, de seduzir, de ser olhada como mulher e testar todo esse poder de atração.

Às vezes acho que sou perigosa. Que provoco sentimentos destrutivos nas pessoas e elas precisam se afastar para se protegerem de mim. Cansei de ser deixada pra trás sozinha e abandonada por ser boa ‘demais’. De que adianta então tanta perfeição? Se sou tão boa, porque não se esforçar pra ser bom o bastante para mim?

Sou alguém que eles passam a amar com um amor que mistura carinho e respeito e acaba por se transformar numa “responsabilidade” de cuidar de mim. Dizem que eu mereço algo que eles não serão capazes de me dar e é como se se dedicassem a me proteger pra eu não sofrer. Só que não sou uma boneca de louça que vai quebrar se alguém encostar. Eu sou capaz de lidar com problemas e sei que alguém pode um dia me magoar, mesmo sem querer. Eu não preciso ser protegida. Eu preciso ser amada.

Faço tudo para conservar amizades, mas to cansada dessa sina de nunca poder ser mais que apenas a melhor-amiga. To cansada de ter que guardar meu carinho e não poder dedicá-lo a alguém e de ser digna de também receber carinho em troca. De também ter alguém pra mim e por mim, comigo.

Eu to cansada de aparecer no momento errado na vida das pessoas. “Se fosse em outra época...”, “se as circunstâncias fossem outras...”, “se as coisas fossem diferentes...”. To cansada das suposições do “se”. De que adianta ficar pensando assim quando não é possível mudar o passado?! O terreno do “se” é muito incerto. Não gosto de caminhar sobre ele. Prefiro o solo firme da realidade presente para construir o meu futuro.

To cansada de me sentir sozinha. Não me faça acreditar que eu tenho um poder se nunca vou poder usá-lo para te trazer pra perto de mim. Eu não quero ser apenas sua melhor amiga. Eu não suportaria te ouvir contar-me 'as dores de outro amor e acabar comigo'.

domingo, 12 de setembro de 2010

Carente

Me sinto só...

Eu to precisando me sentir amada. Eu preciso pensar que eu ia fazer falta, mesmo que às vezes eu ache isso apenas uma ilusão... uma mentira. Porque mesmo ‘sabendo’... sinto falta de ouvir isso. Porque é tão difícil alguém dizer que gosta de mim? Porque todo mundo acha que eu sempre sei? Porque eu sempre tenho que saber?

Eu não quero parecer triste... mas eu sinto falta das palavras. Eu não sou tão convencida quanto pareço. É só tipo... e às vezes eu queria não precisar fazê-lo. Porque eu não posso ser vista como uma pessoa adulta e responsável se eu disser que eu quero colo? É um crime tão grande assim querer ser mimada e desejar um cafuné?

Eu queria poder me deixar parecer frágil... e até insegura. Eu queria ser digna do aconchego de um abraço. Porque preciso sempre parecer independente e auto-suficiente?! Eu não vejo problemas em depender de alguém em certos momentos. Afinal, qual é sentido de existir se é pra estar só?! Se não houver alguém pra amar, e nos fazer sentir amados?

Eu quero não precisar de motivos pra ligar... eu sinto falta das conversas casuais... Compartilhar a existência e os sentimentos e angustias, por mais banais que sejam. Me sentir reconhecida, lembrada, querida.

Desinteresse mata.
Eu acredito em encontros, desencontros e na teoria do caos.

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Dois textos parecem me cair como uma luva e me traduzir perfeitamente meus sentimentos: esse e esse, do 'olhos pisados' de daniel josé #ficadica

terça-feira, 7 de setembro de 2010

Behind Blue Eyes

Acredite, só sei sorrir largo porque meus olhos sabem também chorar. Eles colocam pra fora as dores e deixam a alegria entrar. Meus olhos sempre me denunciam. Eles insistem em falar mesmo quando me calo. São a parte mais silenciosa de mim e a que mais grita por atenção. E quando eles brilham olhando pra você, só você não vê.

O que o sorriso disfarça, os olhos revelam!


 
"Os meus olhos vidram ao te ver. São dois fãs, um par
Pus no olhos vidros pra poder melhor te enxergar
Luz nos olhos para anoitecer é só você se afastar..."

segunda-feira, 16 de agosto de 2010

(In)Diferente

Posso parecer não muito dada a mudanças, mas isso é só impressão. Mudar faz parte da vida. É importante e necessário pra sobreviver.

No entanto, nem todas as mudanças acontecem como um terremoto ou uma explosão e subitamente tudo que somos vira uma pessoa diferente. As mais importantes mudanças acontecem tão dentro da gente que a maioria das pessoas nem vai perceber. São pequenas coisas. Pequenos gestos. Mas elas fazem com quem o mundo nos pareça diferente.

E nem tudo precisa ser mudado. Algumas coisas precisam ser preservadas numa época em que tudo muda tão depressa. É preciso conservar certos valores, para que não se deixe de ser quem se é; não se torne uma outra pessoa tão diferente, que nem você mesmo se reconhece diante do espelho.

Certas coisas é preciso deixar pra trás. É preciso saber quando deixar de lutar por algumas coisas, quando abandonar outras. É preciso mudar defeitos. Mas, sobretudo, é preciso saber manter qualidades, mesmo que os sofrimentos da vida tentem nos endurecer. É preciso aprender a ser seletivos. E cada um precisa descobrir como e quando mudar.

Um belo dia você olha pra você mesmo e se sente diferente. Mas o que acho mais legal é olhar pra mim mesma e ver que mudei, cresci, amadureci! Aprendi a lidar melhor com certas situações, conheci outros pontos de vista, vivi outras experiências.

A mulher de hoje não cabe mais na menina de alguns anos atrás. Mas a menina de antes, continua aqui dentro. As tantas coisas que passei na vida me ensinaram muito. Me ensinaram a ser mais eu. Conseguiram ampliar ainda mais meu horizonte, sem anular a minha essência. Aprendi a ser mais seletiva.

 
"Sou como você me vê . Posso ser leve como uma brisa ou forte como uma ventania - depende de quando e como você me vê passar" Clarice Lispector


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Quando você pensa que já viu tudo e que já sabe tudo sobre mim, você ainda não viu nada! Ainda posso te surpreender, te emocionar, te fazer rir. E você pode achar o que quiser, só não pode ficar indiferente. Escrever sempre me ajuda a colocar pra fora sentimentos que precisam mudar.

sexta-feira, 13 de agosto de 2010

O Benefício da Dúvida

Hoje eu to aqui na Jaqueira. Sinto-me triste e só.

Não, não é por pensar nos casais de namorados, nem pela tristeza de não ter podido aproveitá-lo como meu lugar, ao lado do meu amor, nem ao menos uma vez. Não é pela saudade de quando eu tinha fôlego para as caminhadas freqüentes que me davam tanto prazer e me faziam sentir-me tão saudável. Não é por ficar olhando apaixonadamente as crianças brincando ou por sentir saudades das tardes e noites em que eu mesma brinquei nesse mesmo parque. Nem pelo medo de não chegar a ter crianças para trazer para brincar aqui.

Hoje me entristeci pela saudade de quem me acompanhou numa das últimas vezes que aqui estive. E que dividiu comigo os sonhos, os desabafos e que me ouviu falar sobre casais de namorados e crianças. Senti falta da amizade, da alegria, dos nossos papos, viagens, da nossa sintonia que dispensava legendas. Senti falta de fazer parte da vida dessa pessoa. Senti falta dessa pessoa em minha vida.

Por que parece tudo tão distante? Tão esquecido? Você desistiu de mim? Você não vai voltar? Não serei motivo? Não te faço sentir saudades? Como você pode deixar um vazio tão grande sendo tão pequeno?

Eu acredito. Eu te dou o benefício da dúvida. Mas tenho medo.
Será que o meu amigo, que eu conhecia, não existe mais?


“Não é fácil não pensar em você. Não é fácil. É estranho...
Não te contar meus planos. Não te encontrar.”
[Não é fácil – Marisa Monte]

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Qual a finalidade de enviar cartas que nunca são respondidas?! Cansei de ficar esperando respostas que não vêm. Das últimas que mandei, já nem espero resposta.

quinta-feira, 5 de agosto de 2010

Futuro do Pretérito

Ela acordou e levantou de mansinho para não acordá-lo. Foi direto para o banheiro. Abriu a torneira e diante do espelho deixou a água escorrer entre seus dedos e molhou seu rosto...

Durante aqueles minutos de espera, muitas coisas passaram pela sua cabeça. Momentos... lembranças... Tudo que a havia levado até ali: o dia em que se conheceram, a maneira com que eles haviam se aproximado, se apaixonado. O primeiro beijo, o primeiro eu-te-amo. Os sorrisos, as mãos dadas. A primeira briga, a primeira reconciliação.

Os dias que pareciam não passar quando estavam longe. As lágrimas, a saudade. A tristeza quando se desentendiam, a alegria quando se reencontravam. O dia que ele a pediu em casamento. A surpresa. A maneira que ela disse sim. A primeira vez... O jeito que só ele a olhava unindo desejo, respeito, paixão.

O olhar dele cada vez que ela vestia a sua bata pra ir trabalhar. A maneira com que continuavam a se despedir com beijos antes de saírem. A maneira como que eles se reencontravam após cada dia de trabalho, como se tivessem passado uma eternidade sem se ver. A maneira dele a despir da bata quando ela chegava.

A maneira desajeitada dele pedir desculpa quando sabia que a tinha magoado e o jeito com que ele a abraçava quando ela chorava. O jeito que ele a deixava nervosa quando ficava calado e ela não sabia o porquê. A maneira com que ele lhe passava as mãos nos cabelos e que envolvia a sua cintura. A maneira que ele cantava todas as músicas como se fosse pra ela sempre que ensaiava as notas na sua guitarra favorita.

Os momentos em que eles respiravam o mesmo ar, eram o ar um do outro. O sorriso dele, o sorriso dela quando apenas pensava nele. As brincadeiras, as guerras de pipoca, os beijos de brigadeiro. Os dias que ela pegava no sono enquanto ele via TV, deitados no tapete da sala. Todas as comédias que ela não ria, todos os romances que ele não chorava. O quanto ela era feliz por estar ali, pela vida que tinha, com ele fazendo parte. Ela sendo parte da vida dele.

Finalmente a confirmação: ela realizaria mais um sonho. Seria mãe de um filho dele. Daria a ele um filho seu. Sua alegria não poderia ser mais completa. Era um pedacinho da felicidade deles dentro dela.

Ela sorriu ao se ver radiantemente sorrindo no espelho. Abriu a porta do banheiro e o viu ainda deitado na cama... dormindo... sereno... como quem sorria de um sonho bom. Ela ficou alguns instantes sorrindo diante daquela cena... apenas observando ele dormir.

Resolveu que apenas iria voltar pra cama, pros braços dele, quem sabe entrar no seu sonho e fazer-lhe uma surpresa. Encostou no seu braço e isso bastou para que ele sorrindo a abraçasse e apropriadamente acomodasse as suas mãos sobre a barriga dela.

E ficaram os três ali.

sexta-feira, 30 de julho de 2010

Impressão

Não me importa se você não repara nas minhas unhas vermelhas impecáveis ou no traço perfeito do meu delineador. Você não precisa entender de moda ou de como os meus sapatos combinam com a minha roupa. Basta apenas que tudo isso valha a pena e que simplesmente te veja olhar-me impressionado dizendo – “como você tá linda, meu amor!”

No final das contas, é sempre pra você.


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Sinto falta dos elogios constantemente calados.

sábado, 12 de junho de 2010

Refrão de um Bolero

Ao menino do sorriso mais lindo do mundo.

Eu sei que é estranho eu passar tanto tempo calada, sem dizer nada. Eu sei que pode parecer que to te evitando. Sei que posso até fazer parecer que tudo tem sido muito fácil e que já não sinto tanto. Mas nem tudo é o que parece. Seus olhos só vêem uma parte da história. E meu sorriso disfarça as lágrimas e esconde a dor.

O problema é que não vou consigo me manter por perto. Não sem poder te dizer tudo aquilo que grita dentro de mim, sem poder compartilhar tudo contigo. Não vendo você tentando ser frio e indiferente a mim. Não esperando por elogios que nunca vêem. Não sem poder contar com o seu carinho. Não sem poder te cobrir de mimos. Não morrendo de curiosidade sobre a sua rotina e morrendo de ciúmes de todo mundo que participa dela mais que eu. Porque eu sei que não adianta eu tentar me conter.

Eu já sei o que acontece quando eu insisto em calar. Quando seguro demais as palavras dentro de mim, uma hora elas fogem, escapam descontroladas, transbordam numa intensidade tremenda. Quando eu menos espero, falei sem pensar! Me arrependo roendo as unhas... Me sinto cometendo um crime sem perdão: ser sincera como já não posso ser. É.. um erro assim, tão vulgar.

O problema é que não consigo me manter distante. Não com você invadindo cada pensamento meu. Me fazendo lembrar de você o tempo todo. Na música que toca, no cheiro de Listerine. Me perseguindo em todos os lugares, nas lojas de departamento, no ônibus, atrás de mim nas escadas rolantes. Sussurrando no meu ouvido em público. Me distraindo quando preciso me concentrar, mas tudo em que eu consigo pensar é no seu sorriso.

Sabe.. se pelo menos eu conseguisse sentir raiva de você, ou acreditar que você não é nada disso e que tudo não passa de fantasia minha, tudo poderia até ser mais fácil. Mas a sua cara de mal e esse seu tipo podem enganar a todo mundo, não a mim.

Lamento te dizer, mas você é um péssimo ator! E você não me convence encenando esse papel do ‘cara que você não é’. Mesmo assim eu fico triste quando vejo que você continua a tentar me convencer. É como se você quisesse transformar todo o resto numa mentira, como se nada daquilo fosse real. Ou pior, falando como se o que eu sinto fosse uma mentira. Querendo insinuar que te esqueci e que procuro teu carinho em outros braços. Quando minha carência é de você e ninguém mais sacia. Ela não me aproxima dos outros, me afasta. Para estar com companhia é preciso estar bem. Vai ver por isso ando um tanto só.

Não adianta querer me convencer que já não sou importante na sua vida e continuar a ter ciúmes de mim. Não dá pra ter ciúmes de mim se você não vai estar aqui pra me abraçar quando eu preciso. E como eu posso querer outro abraço se o único que eu realmente desejo é o seu?

Desculpa, mas eu não vou facilitar as coisas pra você. Eu não vou deixar você acabar se convencendo e acreditando na mentira que você mesmo inventou. Eu não vou participar do seu teatro fazendo o papel da ‘moça que vale a pena você esquecer’. Você sabe que o meu realismo estraga tudo. E a realidade é a seguinte:

Eu te amo e ainda não descobri nada que mude essa realidade, mesmo você fazendo questão ser tão chato e tentando me convencer que eu não deveria te amar. Eu sou a mulher da sua vida e você não vai encontrar ninguém que te ame mais que eu, acho melhor você se conformar.

Eu sei que lá no fundo você é um convencido! Você sempre acha que tudo que eu escrevo é pra você, quando na maioria das vezes eu estou só conversando comigo mesma ou com a minha imaginação. Mas se você é parte de mim, como posso separar as coisas? É tudo tão misturado que não sei onde começa uma coisa e onde termina a outra. É simplesmente complicado me sentir privada de uma parte de mim.

Por isso hoje eu estou aqui, rompendo o silencio e declaradamente escrevendo pra você. É torturante ter que guardar todas essas palavras. Eu posso não dizer, mas as palavras continuam todas aqui, comigo.

Escrever é um meio de procurar a minha paz. Paz que você levou embora deixando apenas essa ansiedade tumultuando os pensamentos. Bandido! Eu sei que você roubou meu coração. Pode ficar com ele, mas devolve ao menos a minha paz!



Ass: Ana
Aquela que ainda atrai os seus instintos mais sacanas.

sexta-feira, 23 de abril de 2010

Alucinação.

Eu hoje estava me sentindo sozinha, olhando pela janela, fone no ouvido... Até que senti você sentando ao meu lado e simplesmente encostei no teu ombro. Deixei apenas a música tocar e fiquei sentindo teu perfume, teu cheiro. Pensei em sugerir descermos na parada do shopping e pegarmos a próxima sessão de qualquer filme. Ou então parar no parque... aproveitar o fim de tarde, o pôr-do-sol. Mas não tive ação. Parecia tão mais cômodo simplesmente continuar ali, apenas te sentindo. Qualquer coisa que me fizesse sair daquele equilíbrio poderia me acordar do sonho.

Lei da inércia.


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Ando sinestésica.
Alucinações sensoriais já se tornam corriqueiras e normais.